O futebol brasileiro respira por aparelhos

Maria Eduarda barrada nos portões do Allianz Parque por conta do rosto pintado, neste domingo (20) (FOTO: Reprodução/Twitter)


Logo quando o ano começou uma medida feita por um promotor, até em então desconhecido do público, roubou a cena ao determinar que clássicos entre dois times grandes teriam de ser realizados com torcida única no estado de São Paulo, a exemplo do estado de Minas Gerais. A decisão foi tomada e é válida até o fim deste ano para tentar inibir a violência entre torcidas, mas não resolveu, visto que depois da medida já houveram brigas, onde elas sempre aconteceram, longe dos estádios. 

Torcida única dentro de estádios de futebol é um claro sinal de que o futebol está agonizando. Outro sinal, um pouco mais claro, é proibir, ou tentar proibir, torcedores de fazerem festa em uma rua, como foi o caso da torcida do Palmeiras que no momento precisa fazer um abaixo assinado para se reunir na Rua Palestra Itália para ver os jogos de seu time única mesmo que fora do estádio. Como se o livre arbítrio e o fato das ruas e vias da cidade serem públicas, não se significassem absolutamente nada. 

Mas o maior sinal de que o nosso futebol pouco a pouco morre é quando uma garota de sete anos é impedida de entrar no estádio de seu time com o rosto pintado por uma regra que caracteriza todos os indivíduos com o rosto coberto ou parcialmente coberto como perigoso. Sim... Uma menina de sete anos acompanhada de seu pai teve por obrigação lavar as cores de seu time de seu rosto para poder torcer dentro do estádio. A garota se chateou, claro... Normal, mas felizmente viu seu Palmeiras vencer mais uma. Mesmo assim é algo triste. 

As torcidas cada vez mais tem a liberdade de torcer cerceada, pelas autoridades como o promotor Paulo Castilho ou por regras absurdas da CBF que visa inibir protestos contra a entidade ou proibir o uso de sinalizadores. Os cânticos são censurados, as bandeironas estão diminuindo e as bandeirinhas não entram com o mastro.Ou seja, torcedores não podem mais se reunir, torcedores não podem mais cantar, torcedores não podem mais hastear bandeiras... Torcedores já não podem mais torcer. Está mais divertido assistir o jogo da televisão... Talvez esse seja o plano. 

Triste fim, futebol brasileiro, triste fim. O senhor que já foi assistido por mais de cento e cinquenta mil em um vibrante estádio do Morumbi, o senhor que também já assistiu as bandeiras dançarem em um maracanã com centenas de milhares de pessoas... Hoje o senhor que é pentacampeão do mundo, em sua própria casa não atrai mais convidados. A festa ficou sem graça, com som baixo e com hora pra acabar. 

Pena que quando acabar a festa, o senhor próprio já terá ido.  
O futebol brasileiro respira por aparelhos O futebol brasileiro respira por aparelhos Reviewed by Bruno Cassiano on 15:49:00 Rating: 5

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