2014 o ano para guardar na memória; segunda parte.



A Copa do Brasil teve seu formato alterado. Os times que participaram da Libertadores entrariam a partir das oitavas de final do torneio nacional. Interessante essa medida devo ressaltar. 

Juntaram-se aos candidatos fortes migrados da “Liberta” Corinthians, Santos, Internacional, Fluminense, Palmeiras, São Paulo e Vasco.  Chegaram vivos até a semifinal, Cruzeiro, Santos, Atlético-MG e Flamengo. Por uma mera coincidência, três desses quatro times, estavam no torneio continental. Porém tivemos duas surpresas que por pouco não foram longe na competição. Uma delas América – RN que uma fase antes das oitavas de final perdeu em casa por 3x0 para o Fluminense, mas que conseguiu uma virada histórica no Maracanã eliminando o tricolor carioca comandado por Fred e Conca. ABC – RN, Santa Rita – AL e o Bragantino surpreenderam ao chegarem longe na competição também, o último tirou o favorito São Paulo na terceira fase do torneio; E os dois primeiros acabaram sendo derrotados pelo Cruzeiro que outrora seria finalista ao eliminar o Santos na semi, ganhando a primeira partida por 1-0 e ao empatar em 3-3 no jogo de volta na Vila mais famosa do mundo.  Do lado B ta tabela também tinha clubes clássicos do nosso futebol.  O Flamengo ganhou do Coritiba por 3-0 após ter perdido o primeiro jogo pelo mesmo placar e se classificou nos pênaltis. O América-RN aprontou de novo. Tirou o Atlético Paranaense ganhando a primeira por 3-0 e perdendo na volta 2-0 em um belo jogo. O Corinthians passou pelo Bragantino mesmo tendo perdido o jogo de ida. E o Atlético-MG viria a eliminar o Palmeiras.

Atlético Mineiro, o galo forte e vingador em sintonia com sua torcida protagonizaram o que poderíamos chamar facilmente de epopeia. O time que tanto nas quartas (Corinthians) quanto na semi (Flamengo) fez o Brasil parar. A tônica foi à mesma. Perdeu de 2-0 na partida de ida, tomou gol primeiro na partida de volta e operou um verdadeiro milagre. O mantra de “Eu Acredito” ecoava de forma tão forte que a vingança do galo se concretizou. Ao final, aquele Atlético se sagraria campeão em cima do seu maior rival. Como toda a história deve ter um pouco de tensão, nada melhor do que uma final épica contra um adversário épico. O futebol Brasileiro era mais ainda tomado por Minas Gerais.

A Copa do Brasil foi incrível pelo o que aconteceu dentro do campo. Mas nem tudo é alegria.

O sentimento de que não só o futebol Brasileiro mais de que também a sociedade deve ser mudada teve seu estopim no caso Aranha. Onde, um grupo de torcedores ofendeu o goleiro do Santos chamando-o de “macaco”. Não vou dizer que houve apenas esse caso, seria injusto. Arouca, Tinga e o arbitro Márcio Chagas da Silva foram vitima de racismo também este ano. Isso deixa claro que ainda temos que evoluir. Não apenas na esfera desportiva, mas em todas. E que a justiça seja feita, com pressa de preferência.

Lembram-se lá no começo do texto que chegaríamos ao assunto Copa do Mundo? Chegamos.

Dentro de campo, foi um sucesso. Zebras passeando pelos gramados “bons”, jogos com emoção, muita força de vontade e até, mordidas (não foi apenas força de expressão). Favoritos caíram para que as surpresas se erguessem. A “Copa das Copas” foi de fato à melhor em anos. Exceto pelo 7-1. Ao ver a reação de minha mãe vendo aquela massacrante chuva de gols alemães e ao falar com o meu mais próximo amigo depois do jogo. Vi o quão o pais entrou em choque, quase um estado de pânico. Obvio que tiveram pessoas que torceram contra, mas acho que até elas ficaram com pena de Felipão e sua tropa. O time não era ruim, mas a Alemanha que foi ótima. O psicológico dos jogadores foi por água abaixo ao levar o primeiro gol. Sem delongas nesse assunto, o pior jogo em cem anos de história da seleção canarinho. A maior derrota e a mais acachapante vergonha. Ninguém sabia aonde enfiar a cabeça no dia seguinte. Ou melhor, sabíamos sim! “Vamos torcer contra a Argentina perante a Holanda” era o que restava. Mas o pior aconteceu, a Argentina tirou a Holanda nos pênaltis e foi ao Maracanã enfrentar a Alemanha na final. Duvida cruel: torcer pelo time que desonrou a amarelinha ou contra nossos maiores rivais? Preferia ter visto o filme do Pelé.

No Maracanã uma atmosfera tensa. Argentinos gritavam como Leônidas e seus trezentos, como se estivessem indo para uma guerra. Os alemães por outro lado mais comedidos, porém faziam a sua parte, mas sempre com confiança. Mario Gotze tratou de reescrever a história que Andrés Iniesta tinha deixado em aberto há quatro anos. O mais jovem jogador a marcar em uma final de Copa, saiu para os abraços da torcida como uma criança que não via sua mãe há anos. A Alemanha nos mostrou que a simplicidade e a união tornam o impossível, possível.


Sobrou a nós, ver o inicio de Dunga novamente a frente da nossa seleção. Que fim vai ter? Esperemos 2018 na Rússia para saber.

A terceira parte deste artigo termina caro leitor (a) dando destaque para o Campeonato Brasileiro, Rogério Ceni, Felipão, Alex, Mano Menezes e muito mais.

Avante Brasil, avante resenha!
2014 o ano para guardar na memória; segunda parte. 2014 o ano para guardar na memória; segunda parte. Reviewed by Don Guilherme on 18:15:00 Rating: 5

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