Sobre torcida única: ainda sou contra



Ontem (29) fomos a uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), sobre a medida tomada pelo Ministério Público prevendo torcida única em jogos clássicos do Estado. Estiveram presentes alguns deputados, jornalistas, autoridades, representantes da CBF e da FPF, e nenhum representante dos quatro grandes de SP.  

Segundo o promotor Paulo Castilho, essa é uma medida que visa coibir a violência no futebol e extinguir as torcidas organizadas que em sua opinião são o maior problema que o futebol enfrenta no momento, pois algumas ou praticamente a totalidade delas está ligada ao crime organizado. Castilho ao fim de sua fala disse que para os outros poderem falar sobre o assunto era preciso que os mesmos tivessem estudo ou conhecimento de segurança pública. Vale ressaltar que antes dele a maioria dos deputados se disse contra a medida. 

Do momento em que ouvi a primeira opinião até o final da fala do promotor Paulo Castilho, minha opinião já era formada, sou contra torcida única nos estádios. Essa opinião ficou ainda mais clara quando o Menon (Blog do Menon), Mauro Cezar (ESPN) e Rodrigo Vessoni (LanceNet) tiveram a palavra. Castilho que até então se dizia "aberto ao discurso" se irritou com Menon e se mostrou impaciente enquanto os outros jornalistas expunham dados do por que as torcidas únicas são ineficientes. 

Segundo dados de Rodrigo Vessoni, de 1988 pra cá houveram 299 mortes no futebol brasileiro, sendo apenas 9 dentro dos estádios e 60% dessas mortes ocorreram em dias nos quais não houveram jogos. Ou seja, torcida unica não resolve. Reitero o que o Vessoni disse, por que concordo plenamente com ele. Acabar com as torcidas organizadas pode não resolver, por que a violência não está na camisa e sim em quem a veste. 

Menon fez uma observação que talvez seja a mais válida, não houve se quer um deputado que não tenha mandado um abraço para Marco Polo Del Nero e depois não tenha utilizado a palavra "gente do bem" em sua passagem. A questão que o jornalista lançou foi brilhante, "O que faz mais mal ao futebol brasileiro, as torcidas organizadas ou Marco Polo Del Nero?". A resposta desse questionamento é obvio. 

Mauro Cezar em uma apresentação de slides ilustrou sua opinião utilizando a Holanda como exemplo, um lugar onde há problemas maiores do que aqui e que tentam de outras formas resolverem. O Mauro, ao meu ver, foi feliz ao mostrar um slide em especial sobre "a batalha da Inajar de Souza" local comum de brigas entre torcidas organizadas de Corinthians e Palmeiras na Zona Norte de São Paulo onde em 2012 ocorreu uma morte. Digo que foi feliz, por que antes dele falar, foi dito que no Brasil não existe "hooliganismo" , sendo que essas brigas já são famosas e são realizadas nas ruas.

Como foi questionado pelos três jornalistas, por que a inteligência não é realmente inteligente e começa a acompanhar aqueles que causam tumulto através das redes sociais? Por que não punir assim como acontece na Inglaterra? Por que tomar esse caminho que julgam ser mais eficiente? Daqui um tempo haverão clássicos sem torcidas, afinal de contas já houveram brigas entre torcedores do mesmo time depois dessa medida.

A minha opinião é a mesma. Torcida única não só mais chato em um jogo de futebol como ajuda a mata-lo pouco a pouco. Vessoni falou que isso é a lei do menor esforço, concordo e digo mais É PREGUIÇA! Enquanto essas medidas forem tomadas, também continuarei com a opinião de que além ser preguiçosa, a medida é um atestado de incompetência. 
Sobre torcida única: ainda sou contra Sobre torcida única: ainda sou contra Reviewed by Bruno Cassiano on 18:57:00 Rating: 5

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